A história começa na rua.
Quando menino, Chumbinho trabalhou como engraxate nas ruas de São Paulo. Foi nessa época que teve a oportunidade de treinar capoeira na Associação de Capoeira Regional Primitiva de São Caetano do Sul.
A capoeira passou a acompanhá-lo por toda a vida. Chumbinho tornou-se ferramenteiro, profissão em que se aposentou, e há mais de 50 anos ensina o que recebeu, formando capoeiristas capazes de assumir responsabilidade por aquilo que aprenderam.
A Capoeira Sementes nasce da continuidade dessa história.
Troca de cordões
Um rito de passagem entre mestre e discípulo — e a responsabilidade de continuar o que começou na rua.
“Avisa meu mano, avisa meu mano, avisa meu mano: capoeira mandou me chamar.”
Presença & Memória
Mestre Chumbinho
Mais de 50 anos dedicados à capoeira, formando pessoas e mantendo a roda aberta para quem chegasse.
Confiança e transmissão
Em 2018, Chumbinho entregou a Raphael seu antigo cordão de formado e uma navalha utilizada em jogos demonstrativos — relíquias que representam confiança e continuidade.
Mestre
Chumbinho
Mestre Chumbinho é a raiz desta história. Há mais de 50 anos, ensina a capoeira que aprendeu na Regional Primitiva de Mestre Ferreira e na Areia Branca, com Nelson Ladeia, Carlão Canarinho e Tuzá.
Em sua trajetória, Chumbinho formou capoeiristas capazes de ensinar e assumir responsabilidade por aquilo que receberam. Foi em sua roda que Raphael entrou aos 15 anos e se tornou parte dessa continuidade.
Após um AVC, afastou-se da rotina das aulas para cuidar da saúde. A continuidade do trabalho, que Raphael já conduzia desde que se formou, foi confiada a ele.
Hoje, Mestre Chumbinho integra o conselho da Capoeira Sementes e permanece como referência para as decisões e os caminhos do projeto.
"Um mestre não é apenas quem ensina o aluno — é aquele que sabe confiar a ele a continuidade do seu trabalho."
Raphael
Dias
Raphael entrou na capoeira aos 15 anos, na roda conduzida por Mestre Chumbinho. Quando chegou, ainda adolescente, só havia adultos no grupo — foi assim que Chumbinho passou a chamá-lo de Raphaelzinho.
Aprender entre adultos exigiu que encontrasse seu lugar, enfrentasse os próprios limites e amadurecesse dentro da roda — porque mar calmo não faz bom marinheiro.
Hoje, é professor de capoeira, graduado no cordão branco e amarelo, e faixa-roxa de jiu-jitsu.
Em 2018, tornou-se capoeirista formado e começou a ensinar. Na ocasião, recebeu de Chumbinho o antigo cordão de formado — azul, amarelo, branco e verde — que havia pertencido ao Mestre, de uma época em que o branco ainda fazia parte dessa graduação.
Junto do cordão, recebeu uma navalha utilizada pelo Mestre em jogos demonstrativos. Mais do que relíquias, os dois objetos materializam um gesto de confiança: o mestre reconhecendo que o aluno estava pronto para carregar adiante aquilo que recebeu.
Nosso time
Um grupo de pessoas apaixonadas pela capoeira e comprometidas com o impacto social do projeto.
Nossos Valores
Capoeira por inteiro
Movimento, música, história, brincadeira e ritual fazem parte do mesmo aprendizado. Ensinar bem exige estudo, presença e intenção.
Cada semente tem seu tempo
Cada criança aprende de um jeito. O ensino respeita diferentes corpos, ritmos e formas de participar, sem deixar de oferecer desafios.
Ancestralidade viva
Honrar as raízes afro-brasileiras, os mestres e quem veio antes é fazer esse conhecimento continuar circulando entre as gerações.
Responsabilidade geracional
O mundo que entregamos às crianças também é responsabilidade nossa. Por isso, colocamos o que sabemos a serviço da comunidade.